* Só pra dar uma satisfação ao meu ansioso leitor que sentiu muito a falta dessa que vos fala, voltei! Sim, isso é uma ameaça!
As moças sempre esperavam pela festa de aniversário da cidade com um certo desespero. Faziam mil planos sobre com quem dançariam, de quem aceitariam o algodão doce ou a maçã do amor e sobretudo, arrumavam seus mais belos vestidos, pois moça que se preze usa vestido em festa.
Ana Rita recebeu um bilhete em forma de coração com cheiro de rosas escrito assim: "Mi encontre atráz du coreto. Assinado: Eu!" Num sorriso tímido e inconformado ela pensou quem haveria mal escrito aquilo, afinal não fazia idéia de nenhum admirador secreto. A curiosidade era tamanha que seus dedos transpiravam de nervoso durante o caminho da praça até os fundos da igreja.
Chegando lá viu apenas uma maçã do amor com outro bilhete. Nem fez questão de ler o bilhete, apenas pegou a maçã e deu uma mordida, não ia se frustrar com um encontro com alguém que escreve tão mal. Com a boca e um cantinho da bochecha sujos da cobertura açucarada da maçã foi surpreendida por um menino que havia estudado com ela há tempos. Conversaram sobre o que havia acontecido e logo após a quinta mordida na maçã eles se beijaram. O gosto de maçã e perigo atraía os dois cada vez mais. Até que um atrevimento do rapaz faz Ana Rita dizer: "- Se vc conseguir colocar a mão onde está pensando a coisa vai ficar feia!" Não acreditando nas palavras da moça, insistiu. Afoito subiu suas mãos por dentro do vestido verde de Ana Rita e teve seu dedo médio quase que decepado por uma armadilha que o pai dela havia confeccionado para prender junto de sua calcinha. Assim ela poderia usar vestidos à vontade, mas sua dignidade estaria preservada, ao contrário dos dedos de rapazes afoitos. Dizem por aí que um moço da vila não anda muito bem da língua! |