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Por Mariana Pimenta

> Mariana Pimenta é atriz e professora, escreve contos cheios de mau humor e referências pseudo-engraçadinhas, gosta de andar com gente inteligente pra ver se absorve algo por osmose.


Das escolhas certas...
 

Sem constrangimento ela se emperequetou: vestido curto, bolsa média (para caber todos os acessórios), unhas devidamente pintadas de vermelho (inclusive as do pé, o que lhe conferia um ar Viúva Porcina) e a sandália. Caminhou 4 quarteirões até o cinema, pois não queria que ele soubesse onde morava. O filme era péssimo, o que transformou uma sessão da sétima arte em uma sessão de pornochanchada particular (digna de Matilde Mastrangi, dirigida por Cláudio Cunha).

Ao sair do cinema, o calor lhe subia as pernas no inverno carioca, tomou a liberdade de convidar o rapaz para tomar um refresco de cevada num boteco ali próximo (ela adorava uma exibição em público, arrumadíssima, preferia os botecos, para chamar atenção). Beberam daquela vez como se fosse a última, gargalharam como se ouvissem música e beijaram-se como se fosse lógico.

A dama estava inclinada a aceitar o convite de uma esticada até um motel de quinta ali por perto mesmo, mas declinou ao convite gentilmente e ignorou solenemente a vontade danada de um pobre rapaz que já estava atrás da mesa com os documentos na mão! Estavam seguindo rumo ao ponto de táxi quando, exatamente no 17º passo, o salto 15 faz o favor de quebrar. Com um sorriso amarelo a moça escora nos ombros do rapaz e seguiram em frente. O rapaz fez questão de ficar com sua sandália para consertar o que automaticamente os obrigaria a um novo encontro.

O segundo encontro tinha que ser rápido, pois ela ía viajar. Levava em sua bolsa um chicotinho (desses com a tirinhas de couro na ponta) para ser usado, caso tivesse oportunidade. O rapaz entregou a sandália e ela conferiu as passagens novamente o que deu um certo desespero, seu avião sairia em 15 minutos, não em 1h como havia visto enganada.

Correu pro aeroporto e ainda ofegante foi passar pela revista. Lembrou-se então do chicotinho que carregava na bolsa, corou as bochechas e num rompante de euforia, enfiou o chicote na boca, deixando pra fora só as tirinhas de couro. Sacolejava a cabeça e repetia: "- Eu sou uma iguana, eu sou uma iguana!" Muita gente riu, muita gente se mijou de rir, mas tb muita gente se afastou com o medo de levar uma chicotada.

Entrou no avião e seguiu seu destino pensando que realmente acertou na escolha, pq certamente se tivesse enfiado o chicote no rabo e saído andando gritando: "- Eu sou uma vaca, eu sou uma vaca!" teria sido muito pior!

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» 27/04/2010 às 03h38 :: Quando só se consegue uma dor de cabeça pra vida toda...
» 30/12/2009 às 20h22 :: Quem é?
» 03/12/2009 às 09h08 :: A dignidade dentro do vestido
» 16/09/2009 às 02h06 :: Marquinhos, o menino que queria ser...
» 17/08/2009 às 23h09 :: Da incoveniência dos supermercados
» 14/07/2009 às 23h12 :: De onde vem essa lembrança tão louca desse cheiro no ar?
» 22/06/2009 às 22h39 :: É furada, meu bem!
» 20/05/2009 às 23h02 :: À singularidade das meias coloridas!
» 05/05/2009 às 17h20 :: Depois da tempestade... o que resta é pura lama!
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