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Por Marcelo Ferreira

> Marcelo Ferreira não é bêbado conhecido mas é alcoólatra anônimo, se amarra numa Montilla com coca, tem o bar como a sua segunda casa e promete que o dia que parar de beber, vai tomar um porre pra comemorar.


O velho e a barata da loira
 

Teve um fim de semana desses que eu estava a toa em casa curando uma ressaca, quando um amigo meu de copo entrou no msn me convidando para conhecer um novo bar temático que tinha aberto em São Gonçalo. Como eu não tinha nada para fazer em casa e nenhum crédito nos bares da região, parti rumo as terras gonçalenses.

Cheguei no bar com uma hora de atraso  e logo avistei a rapaziada sentada próximo ao meio fio. Debaixo da mesa, um engradado de cerveja quase completo denunciava que o pessoal estava com muita sede naquela noite. Sentei de costas pra rua, peguei meu copo e reparei na decoração do bar, que de temático não tinha nada. Apenas um balcão grafitado, onde uma simpática e adiposa moça anotava os pedidos dos (poucos) clientes.

Do meu lado direito, uma loira balsaquiana, de saia jeans e blusinha (daquelas que só se vê em brechó), bebia e fumava tranquilamente na companhia de uma amiga baixinha e morena. Do meu outro lado, uma tv com um um irritante karaokê tocando Wando, onde um senhor de sessenta e poucos anos tentava inutilmente acompanhar. 

No auge da nossa degustação alcóolica, a loira se levanta e começa a gritar desesperadamente, atrapalhando o nosso papo de bêbado. - "Aí me ajudem, por favor!" - gritava a loira, que no desespero começou a correr e a se debater na parede do bar - "Entrou uma barata na minha blusa, está nas minhas costas!".

Como em toda roda de amigos, sempre há um engraçadinho que soltou a piadinha: -"Tira a blusa!", "Tira tudo para a gente ver a barata!". A balsaquiana, que não sabia mais o que fazer, levou a piada a sério e começou a levantar o pano de brechó que cobria seu corpo. O velhinho, quando viu que a moça iria se despir, largou o microfone e correu para segurá-la. Os berros atraíram diversas pessoas para a porta, entre elas a moçada que estava numa festa próxima.

A morena baixinha, saiu apressada do banheiro, preocupada com os gritos da amiga e deu de cara com uma cena inusitada. A loira gritando com a blusa presa no pescoço, o velhinho segurando firmemente os braços dela por trás e  a nossa mesa gritando: "Tira, tira!". Ouviu-se de uma outra mesa, um gaiato retrucando a velha anedota: "Põooe, põooe!". Sem saber do real motivo, a morena começou a bater no velinho chamando-o de tarado, enquanto a loira, sufocada com a blusa, falava insistentemente: "Tira isso de mim! Por favor!".  A molecada berrava como se fosse uma decisão de futebol e a gente, de camarote, assistindo tudo.

A confusão foi tão grande, que o número de pessoas que pararam para assistir a tal bizarrice, chamou a a atenção da Polícia que passava na avenida principal.  Os policiais entraram no bar resmungando: -"Era só o que faltava. Cuidar de um véio tarado a essa hora!" - enquanto a loira, ajudada por um  "prestativo" cliente, estava mais vermelha que seu sutião. No fim das contas, o velho estava sendo encaminhado para  a delegacia, quando a loira bausaquiana disse aliviada ao policial: "Graças a ele, eu não tô mais com a barata!". Os policiais não conteram o sorrisinho no canto da boca e foram embora, assim como a loira e sua amiga. E nós, continuamos lá bebendo, debatendo sobre o ocorrido  e aturando o som do Wando cantado pelo velhinho, que ficou para tomar mais uma dose de Catuaba.

 

 

 

 

"Nunca confie num homem que não bebe" (Provérbio Chinês)

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» 18/04/2009 às 13h18 :: Mitos da Cerveja

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