Naquele dia tinha tido um sonho enigmático e ao acordar resolveu que não reclamaria, pelo menos por um dia, pensou que não seria difícil, afinal são só 24h.
Levantou e ao abrir a janela o sol lhe aqueceu a face, tal qual São Francisco, deu bom dia as passarinhos, olhou pro relógio e putz! Estava atrasada!
Correu para o banheiro, ligou o chuveiro e apenas algumas gotinhas caíram sobre sua cabeça, a água tinha acabado. Como estava com pressa, passou um lenço umedecido nas partes, um bom perfume francês e saiu como um fumacê às 7h da matina pela rua com seu salto que fazia um barulho irritante.
Correu de novo para pegar o ônibus a tempo. Tropeçou na escada do coletivo, deu um sorriso sem graça e entrou, linda, loira, japonesa e quase bunduda. Não tinha lugar para sentar, mas ainda lhe restava o seu mp3 companheiro cheio de músicas novas e empolgantes... Fones no ouvido, volume no máximo, balançava a cabecinha no ritmo frenético do motorista e ao som de Cake (sim, ela era dessas) até que o som parou! Droga! Era a porcaria da pilha que tinha acabado agora!
Enquanto procurava desesperadamente, não por Susan, mas por uma pilha palito que ela tinha CERTEZA estar perdida por ali, adentra um desses vendedores de quinquilharia de ônibus!
Foi o que ela precisava! Soltou um palavrão bem cabeludo (que eu não posso escrever aqui, ainda sou novata nessa budega, gente), deu um ataque de pelanca e aos berros disse que não queria comprar nada, que ele era um saco, que se não quisse incomodar não teria nem começado a falar, mas que sua voz a irritava mais que o perfume barato da mulher que estava sentada na poltrona do lado e ainda tinha condicionador pingando do cabelo no seu sapato novo, dentre outras coisas...
Percebeu o mico, lembrou da promessa e desceu, assim, destrambelhada, no lugarzinho no meio do nada, e ficou amargando por meia hora, até que passou outro ônibus e seguiu caminho. Afinal, tinha certeza que nesse dia seu mau humor matinal se extenderia até à noitinha. |