Imprensa Brasileira em pauta
Está na pauta do Supremo Tribunal Federal a ação que irá decidir o destino dos profissionais de jornalismo para definir se há ou não a necessidade do diploma de bacharel para o exercício da profissão.
Segundo o jornal O Globo, “esse assunto tem enchido as caixas de e-mail dos ministros do STF com mensagens de jornalistas de todo o país. Alguns defendem o diploma, outros dizem que o direito à livre expressão, garantido pela Constituição Federal, dispensa formação universitária específica”.
O exercício à liberdade de expressão não deixou de existir. Independente de diploma jornalístico, desde o fim da ditadura, os cidadãos têm o direito de se manifestar (art. 5º, incisos IV e IX da C. F.), exceto nos momentos em que o próprio governo e as autoridades em geral fazem calar a voz do povo, afinal inúmeras manifestações são impedidas e terminam em prisão, pancadaria ou os dois.
A imprensa brasileira nunca esteve tão aberta à participação popular como hoje. Vive um momento de convergência de mídias, onde o jornal, a TV, o rádio e a internet estão integrados e a sociedade colabora com a produção de conteúdos diretamente, postando vídeos, comentários, opiniões e até mesmo elaborando pautas e matérias.
O fim do diploma acadêmico é preocupante. Não se adquire técnicas de leiturabilidade e legibilidade do dia para a noite. Provavelmente quem jamais assistiu a uma aula de um curso de Comunicação Social sequer sabem o significado desses termos.
Pode-se aprender com a prática o que é a pirâmide invertida, mas saber de onde ela veio e por que faz com que o senso crítico não fique somente no âmbito do senso comum. Afinal, jornalistas são formadores de opinião.
O universitário assimila que Estética e Cultura de Massa não é o estudo de como cada cultura se preocupa com a beleza, ou aulas de maquiagem, mas sim, a Comunicação Social enquanto indústria cultural e cultura advinda das massas.
Observa que apocalípticos não são alguns homens citados na Bíblia, mas uma corrente de pensamento nascida na Escola de Frankfurt, onde Adorno e Horkheimer discutiam a padronização e esteriotipização da mídia.
O ambiente acadêmico modifica as pessoas, faz aflorar interesses e ideias, faz a frase de Heráclito tornar-se mais forte: “o mesmo homem não pode mergulhar no mesmo rio duas vezes”, isso porque tanto o rio quanto o homem estão em constante movimento.
Jornalismo é um ofício como outros e exige técnica, teoria, domínio da linguagem, dedicação e ética. A população tem o direito à qualidade de informação, responsabilidade e comprometimento. |