Hoje para mim é o começo, escrevo meu primeiro texto para o Festlagos, mas inicio por ironia do destino falando do fim. É muito difícil falar sobre a morte, assunto no qual a maioria das pessoas evita até mesmo pensar, porém, diante do falecimento de João Alberto Ravizzini Kilppe, 30 anos, morador de Cabo Frio, não me vejo disposta a abordar outro tema.
João faleceu no sábado (18/04), após a queda da aeronave que estava pilotando na cidade de Lontras, em Santa Catarina Uma fatalidade!
Todos os dias nascem milhares de crianças em todo o mundo e antes mesmo de nascerem, as mães já cultivam um amor proferido como inexplicável, só mesmo sendo mãe para compreender tamanho mistério. Ver o nascimento de um filho é um fato esperado, mas vê-lo partir é praticamente inaceitável.
Diante do fim inesperado, acredito ser necessário repensar valores.
As pessoas passam anos estudando coisas que provavelmente nunca serão utilizadas, ficam na dúvida de qual profissão seguir (afinal, existe uma vida inteira pela frente), brigam, guardam ressentimentos, praticam esportes ou não, e no final, todos são pegos de surpresa, independente de 5 ou 100 anos, nunca estaremos prontos.
E todas as coisas por fazer?
E aquele telefonema que ficamos de dar?
E os sonhos ainda não realizados?
E as roupas no armário, vão continuar ali para preservar a lembrança?
Não é possível modificar nada após a morte, mas por agora, é plausível gastar o tempo com a família, os amigos, com sorrisos e boas gargalhadas, usufruindo das coisas que realmente o farão feliz.
Segundo Shakespeare "com o tempo você descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos".
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